A ordem mundial está a passar por uma transformação profunda. Como bem aponta a análise recente sobre o cenário internacional, os tempos em que Washington impunha decisões de forma unilateral ao mundo parecem estar a chegar ao fim, especialmente com a evolução dos conflitos no Médio Oriente.
Trump e a Ilusão da Vitória Antecipada
Embora Donald Trump tenha anunciado vitória em diversas frentes, a realidade no terreno é mais complexa. Para o Irão, "ganhar" significa simplesmente resistir, enquanto os interesses de Israel e dos Estados Unidos começam a divergir de forma acentuada. Enquanto o governo norte-americano demonstra interesse num cessar-fogo por perceber que a situação se tornou desfavorável, Israel parece optar pela escalada estratégica. Recentemente, o ataque a instalações nucleares israelitas que Israel não conseguiu impedir, demonstrou fragilidades na defesa aérea que antes eram impensáveis.
A NATO e a Crise de Relevância Militar
Um dos pontos mais críticos discutidos é a eficácia da presença militar dos EUA e da NATO. Algumas visões sugerem que:
- A NATO tornou-se um "tigre de papel": A organização é vista por alguns setores como obsoleta por não servir mais estritamente os propósitos da política externa de Washington.
- Vazio de poder no Golfo: Atualmente, nota-se uma incapacidade gritante dos Estados Unidos em manter a segurança marítima no Estreito de Ormuz, com relatos de que o seu dispositivo militar na região foi severamente afetado e carece de navios com capacidade de aproximação.
O Eixo Anti-Hegemónico: Irão, China e Rússia
A geopolítica "dura" revela que o Irão é uma peça fundamental para as ambições da China e da Rússia. Esta aliança tripla visa ultrapassar os bloqueios marítimos controlados pelos americanos.
O projeto global de primazia norte-americana enfrenta agora o que Zbigniew Brzezinski temia em 1997: uma aliança anti-hegemónica entre China, Rússia e Irão. Este bloco utiliza o território iraniano como um corredor vital, desde a Rota da Seda chinesa até às rotas russas que ligam São Petersburgo ao Mar de Omã.
A Falha no "Pivot para a Ásia"
Desde a administração Obama, os EUA tentam realizar um "pivot" estratégico para a Ásia para conter a China. No entanto, a necessidade de retirar mísseis interceptores da Coreia do Sul para reforçar o Médio Oriente prova que Washington está a ser forçado a abandonar as suas prioridades estratégicas para apagar "fogos" regionais.
Diplomacia e Ameaças: A "Jogada em Falso"
O cenário é agravado por declarações polémicas. Porta-vozes das forças de defesa de Israel chegaram a insinuar veladamente a possibilidade de atingir lideranças russas caso estas interfiram nos interesses estratégicos israelitas, comparando a situação à eliminação de líderes do Irão.
Este tipo de linguagem, descrita como "terrorismo de estado", aliada a uma diplomacia europeia que parece perdida em metáforas sobre "histórias de amor" e guerra, indica que o caminho à frente carece de regras claras e racionalidade.

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